Estado paraense: União ou Divisão?

O estado do Pará está localizado na região norte do Brasil. Só para esclarecer alguns dados geográficos, a extensão territorial do estado é de 1.247.950,003 km2 –  é a segunda maior unidade federativa do país, só perdendo para o estado do Amazonas que chega a 1.559.161,682 km2.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no Censo 2010, sua população contabilizou 7.581.051 habitantes espalhados pelos cento e quarenta e três municípios.

A grande extensão territorial é o “x” da questão e vêm sendo discutida em um projeto para divisão do território em dois novos estados: Tapajós e Carajás. Além, é claro, do já existente Pará. Questiona-se que, em razão do grande território paraense, as políticas públicas não são realizadas com a devida eficácia. Sendo assim, com a divisão da área, as administrações públicas poderiam ser bem mais eficientes.

Se caso ocorra, realmente a divisão do estado, o Tapajós terá 722.000 km2 e sua capital será Santarém, minha cidade natal, mais conhecida como a “Pérola do Tapajós”. Hei de convir que será ótimo para região em termos econômicos, já que a cidade vêm oferecendo práticas turísticas bem atrativas, como o ecoturismo e as belíssimas praias de água doce . Desta forma, com mais planejamento e mais investimentos públicos a cidade teria no Turismo uma de suas principais atividades econômicas.

Outro dia, lendo uma matéria da Revista VEJA, denominada “O Grande Salto do Brasil Urbano”, surpreendi-me com “Santarém” classificada como a cidade do país que têm os menores índices de taxa de criminalidade. Veja você, caro leitor, que a eficácia da ordem, por lá, é atribuída à qualificação dos policiais Civis, pois 82% dos agentes possuem ensino superior, enquanto outros 13% são universitários…Sendo assim, a tranquilidade aquece o comércio, criam-se empregos e  a “Pérola do Tapajós” vai permitindo um clima de paz e um estilo de vida muito atraente  a seus habitantes e visitantes. Eis aí, mais um ponto positivo para os mocorongos (nome dado pelos nativos a quem nasceu na cidade)!!!..srsr

Quanto ao estado dos Carajás, localizado no sudeste do Pará, terá aproximadamente 285.000 km2 de área na divisão e sua capital será a cidade de Marabá. Confesso que também conheço bem esta região..rsrs. É bastante rica em minérios e muitíssimo promissora. Meu pai trabalhou na Serra dos Carajás, nos anos oitenta. E eu cresci acompanhando as mudanças que foram bem significativas para o lugar. Um exemplo foi desenvolvimento da segunda maior mineradora do mundo, a “Vale do Rio Doce” e a criação da estrada de ferro dos Carajás. Também vivenciamos ascensão do ouro na Serra Pelada e o surgimento de uma nova cidade: Parauapebas.

Para o atual Pará restariam 240.649 km2 de área. A população seria reduzida a 5,2 milhões de habitantes. É importante deixar claro que a capital Belém, não perderia absolutamente nada com o desmembramento do estado, seriam mantidos os 56% do PIB (Produto Interno Bruto). Lembrando que o Tapajós ficaria com 11% e Carajás 33%.

Rumores de politicagem veiculam nas mídias pelo estado à fora. União ou Divisão? Marqueteiros, políticos e até personalidades famosas (jogadores, atrizes, jornalistas, cantoras)..todos argumentando e sustentando opiniões divergentes.

Os opositores alegam que a divisão é desnecessária e que seria uma estratégia política que visaria apenas à geração mais cargos e divisão de verbas públicas.  Outra questão é que o Pará possui grandes áreas florestais, reservas indígenas e áreas de conservação, qual seria a economia das novas unidades da federação?

Crédito de imagem: site G1

Para o deputado federal Zenaldo Coutinho (PSDB-PA) um dos principais líderes do movimento contra a divisão “Todas as regiões sairão perdendo. Por que você vai ter três estados medíocres sob o ponto de vista econômico. O estado do Pará hoje com todo esse potencial, com toda essa força, participa apenas com 1,4% do PIB brasileiro, imagina o que serão três estados dividindo. Serão três insignificantes sob o ponto de vista econômico geopolítico brasileiro”.

“Dividir para Multiplicar”. Assim definiu o coordenador geral da Frente pela criação do Estado do Carajás. O deputado federal Giovane Queiroz (PDT-PA) defende o argumento que diz que, devido a extensão territorial do Estado, o poder público não consegue atender as demandas da população e que a divisão melhoraria a gestão do Estado. O desmatamento desenfreado, os conflitos agrários, a baixa qualidade da educação, a saúde e a falta de segurança pública, são alguns dos problemas hoje enfrentados pela “falta do Estado” nos municípios afastados da capital paraense.

E aí vai a pergunta: União ou Divisão?

Em minha opinião, os novos Estados terão, sim, condições de manter suas economias. Ambas são regiões prósperas e riquíssimas e precisam urgentemente de um poder público mais “presente”, eficaz.
 
As cidades do interior, distantes da capital paraense, sofrem pelo descaso de uma política pública injusta. Não ficarei, aqui, gastando palavras para lhes falar qual é o papel do Estado, afinal estamos todos cansados de saber. Mas, questiono o por quê de não darmos a chance de ver alguma mudança realmente significativa acontecer. Se deixarmos tudo caminhando como está, nosso povo continuará abandonado, esquecido. É como se o estado do Pará se resumisse apenas à capital, Belém.

Um exemplo típico de divisão que deu certo ocorreu com o Tocantins. Que, após o desmembramento de Goiás, atraiu investimentos e modernização. E também contribuiu para que o estado de Goiás saltasse de 14ª posição do PIB (Produto Interno bruto) para 9ª entre os estados brasileiros.

As cidades paraenses também almejam sair da miséria rumo ao progresso. Neste domingo, 11 de dezembro acontece o plebiscito pelo SIM ou Não à Divisão do estado do Pará.

Caríssimos conterrâneos, procurem ler, entender e conhecer ao máximo as questões que envolvem a divisão do nosso Estado. Quanto mais informados, menor será a possibilidade de cometer erros.

Crédito de imagem: queridíssima Ana Paula Thompson

Um xêro(expressão paraense) da mocoronga!!!

By Clí Santos

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