Centro Histórico de Pirenópolis/GO.

Surpreendi-me ao ver o Centro histórico de Pirenópolis. As construções que datam do período colonial preservam a herança de nossos irmãos portugueses. As enormes janelas e portas de madeiras nos transportam para a época áurea do ouro na região.

 Pirenópolis foi tombada como conjunto arquitetônico, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, desde 1989 e possui um centro histórico com inúmeros casarões e igrejas. Um diferencial do lugar é que a grande maioria dos casarões são residenciais. Desta forma, acredito que a preservação da arquitetura original por parte de seus proprietários torne o trabalho mais fácil para o IPHAN. Claro que isto requer uma boa dose de conscientização!

As igrejas chamam atenção pelo estilo colonial com interior barroco. No entanto, uma em especial me chamou atenção: a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário. Um fato lastimável ocorreu na igreja, houve um incêndio no ano de 2002, e então suas relíquias foram destruídas. Seus altares ornados em ouro, os sinos dos anos mil e oitocentos e um relógio com pêndulo alemão, foram alguns dos itens que acabaram em cinzas. Um grande desastre patrimonial.

Atualmente a igreja Matriz está sendo restaurada com recursos públicos e privados, mas infelizmente muitos de seus bens não poderão ser reconstruídos. O local é aberto à visitação. Moradores e turistas podem acompanhar de perto todo o processo de restauração. É muito legal este trabalho porque funciona como uma espécie de educação patrimonial, através da qual, a população fica conhecendo não só o valor histórico exposto, mas também o religioso e social.

Também não posso deixar de falar sobre a Festa do Divino de Pirenópolis, que é uma celebração de origem portuguesa que é baseada nas folias e rituais de um imperador e seu império. Ao longo do tempo foram inseridas à festa outras representações: como as encenações das cavalhadas (batalhas medievais entre mouros e cristãos, por honra do imperador e do Espírito Santo) e dos mascarados (figuras que circulam pela cidade a pé ou a cavalo com máscaras de papel pintado), que acontece sempre na época de Pentecostes pelas ruas do centro histórico.

E foi através desta manifestação cultural que o lugar conquistou mais um reconhecimento. Ano passado, a Festa do Divino foi registrada pelo IPHAN como um “Bem Cultural de Natureza Imaterial” do estado de Goiás. Uma grande vitória, não só para o estado, mas também para o país. Infelizmente, nós brasileiros precisamos aprender a valorizar o que é nosso, cultuar nossas tradições e referências. E jamais permitir que elas desapareçam.

As lojinhas espalhadas pelo centro histórico são um mimo! Pense num ambiente cercado de história, onde você pode garimpar os mais variados trabalhos artesanais e regionais? Então, ficou curioso? Visite Piri…rsrs é como a cidade é carinhosamente chamada por seus moradores.

O centro histórico de Pirenópolis, é assim, de estilo secular, com um charme que é só dela. As ruas de pedra, os lampiões coloniais…seus casarões ricamente desenhados.

 Agora entendo por que Cora Coralina queria compartilhar as belezas de sua terra quando escreveu em versos:

“Poetas e pintores, românticos surrealistas, concretistas, cubistas, eu vou conclamo. Vinde todos cantar, rimar em versos, bizarros coloridos, os becos de minha terra.”

No mais vou ficando por aqui até o próximo giro!!

*Clí Santos.

Links:

http://www.pirenopolis.go.gov.br/

 http://portal.iphan.gov.br/portal/montarPaginaInicial.do

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