Alter-do-Chão: Nosso Caribe Amazônico!

Localizada a apenas 30km de Santarém no Pará, a pequena vila de pescadores é considerada um dos maiores pólos turísticos da Amazônia. Cercada por pequenas ilhas de areia, Alter encanta o visitante com suas praias de areia branquinha e suas águas verde-azuladas. Por isto o apelido de “Caribe Amazônico”, dado pelo francês Jacques Cousteau quando esteve em expedição pela Amazônia. Não é à toa também que em 2009 o jornal inglês The Guardian a elegeu como a praia mais bonita do Brasil e, desde então, é muito comum ver turistas ingleses passeando na vila.

Crédito de imagem: Arnoldo Riker, foto Alter-do-chão.

Tudo é encantador em Alter a começar pelas barracas de artesanato. As lojinhas do pequeno comércio, cheias de colares, cuias e enfeites regionais atraem os turistas pela originalidade e cultura indígena. Ainda na pracinha há umas barraquinhas de bombons que são um deleite..uhmm! Os doces, são umas balas compridas à base de chocolate, com recheio de cupuaçu (fruta regional de sabor bem exótico) ou castanha-do-pará. O sabor é esplêndido. Só provando leitores!! É impossível descrevê-lo com palavras…kkk.

Crédito de imagem: site Globo Amazônia, loja de artesanato Araribá.

O que eu acho mais fascinante em Alter é a tranqüilidade, claro que na baixa temporada. Por que no mês de setembro, a festa do Çairé deixa o local intransitável. O contraste do verde da natureza com o azulado das águas e a brancura das areias das praias nos indica uma certeza: – O paraíso é ali!

Crédito de imagem: foto jornalista Sucena Shkrada

Fazer a travessia em pequenas canoas, da Praça Central da vila para a Ilha do amor (península formada por areia branca no meio do Tapajós) é como se a mãe natureza nos desse permissão para adentrar em seu território. O sol ardente brilhando nas águas e o barulho dos pássaros voando em bando já nos dão sinais de que aquele pedacinho de areia nos proporcionará uma experiência única.

Crédito de imagem: site Borari.

Já na ilha, encontramos vários quiosques repletos de muito suco regional, água e coco para nos refrescarmos do calor escaldante. Porém, o jeito mais refrescante de driblar o sol é mesmo banhando-se nas águas do Tapajós. Sinto-me a própria Iara (lenda amazônica) ao mergulhar nas águas mornas e tranqüilas. kkk.

Uma dica para marinheiro de primeira viagem é que as praias de Alter só aparecem no período da vazante do rio Tapajós, que vai de agosto a dezembro, então, planeje-se para este período, caso contrário, tudo o que verá é uma imensidão de água e acabará achando que tudo que eu contei aqui não passa de lenda.rsrsr

Uma festa muito famosa que acontece em Alter é o “Çairé” e, como toda manifestação popular paraense o Çairé é muito interativo, cheio de alegria e muita dança. Sua provável origem é do período de colonização, quando os padres Jesuítas catequizavam os índios amazônicos através de orações, música e dança. Esta festa é uma das mais antigas da região amazônica, com mais de 300 anos de tradição. É uma mistura de elementos religiosos e profanos, em que o cerne é uma animada disputa que acontece entre os botos (cetáceo que vive nas águas amazônicas, é o golfinho de água doce) cor-de-rosa e tucuxi, algo parecido com o embate amazonense dos bois de Parintins. Só que o ritmo que embala este auê paraense é o carimbó.

Crédito de imagem: site Uol Estilo Viagem, dança do Carimbó/Çairé 2010.

As apresentações iniciam-se com o hasteamento de dois mastros enfeitados, seguido de ritual religioso e danças folclóricas, incorporadas pelos moradores locais. Por exemplo: o carimbó, camelu, desfeiteira, lundu, valsa, quadrilha, macucauá e etc. A apoteose da festa são as encenações da lenda de boto. Aliás, a Amazônia é rica em lendas e todas envolvem muito mistério!!!

 Minha avó costumava contar causos escabrosos sobre as histórias de boto…kkk Ela dizia que ele era um moço muito bonito e aparecia nas festas bem vestido, todo de branco e usando chapéu.  Sempre à procura de conquistar e seduzir a moça mais bela do lugar.

Ah! Tem também a lenda do Lago verde dos Muiraquitãs, que nada mais são que as próprias águas de Alter. Resumindo, conta-se que as guerreiras amazonas (as Icamiabas, isto é, mulheres sem marido) após acasalarem com os índios da tribo Guacaris, banhavam-se no lago que chamavam de Iaci-uaruá(espelho da lua) e mergulhavam até o fundo, de lá traziam uma argila esverdeada, com a qual elas moldavam figuras em forma de sapos, tartarugas e serpentes para presentear seus amados. Daí vêm a origem dos “Muiraquitãs”, que eram usados como amuletos pelos índios escolhidos no ritual para a procriação. E detalhe isto ocorria apenas uma vez ao ano, era chamado de ritual à mãe Lua.

Crédito de imagem: Google

Linda demais não?? São tantas lendas…srrsrs. Vocês não imaginam o quanto o norte do Brasil é rico de folclore. Nossa cultura, riquezas naturais e culinária são nosso maior bem. Pena que nem todos os brasileiros tenham a possibilidade de ver e vivenciar tanta emoção.

Ah! Não espere encontrar em Alter grandes resort para se hospedar ou restaurantes chiques e outros confortos, pois o charme desta vila está nas coisas simples do lugar. Na preservação e sustentabilidade que  lugares assim devem preocupar-se em manter.  

 Com isso, essa mocoronga vai ficando por aqui, saudosa de sua amada Alter-do-chão. Agora vocês entenderam, por que tenho tanto orgulho de minhas raízes amazônicas??rsrs…

Um xêro, e até o próximo giro!!

*Clí Santos.

Links:

http://www.beloalter.com.br/

http://www.hotelmirantedailha.com.br/

http://www.agualindahotel.com.br/

Minha Pérola do Tapajós!!!

Carinhosamente chamada de “Pérola do Tapajós”, a antiga aldeia dos índios Tapajós, e mais tarde elevada a município, com o nome de Santarém é uma cidade rica em belezas naturais. O calor intenso, a comida exótica e as histórias de “boto” vão consagrando o lugar como um recanto único.

Crédito de imagem: site Borari/Santarém

 

Assim, Santarém vai recebendo seus visitantes agradavelmente…srsr.  Margeando a área urbana da cidade já é possível apreciar um grandioso espetáculo da natureza: o exuberante encontro das águas. De um lado o gigante rio Amazonas com suas águas barrentas e do outro, o nosso Tapajós, com suas águas verde-esmeralda. E, detalhe, os rios correm juntos por um longo percurso sem se misturarem, um fenômeno pra lá de especial.

Quem nasce em Santarém é santareno ou mocorongo, como euzinha…rsrsrrs. É gente da terra, que ama suas raízes, que acolhe e compartilha. É ser natural, simples, humilde, livre de preconceitos. Ser ou estar mocorongo, depende de cada um de nós!! Mas, acima de tudo é respeitar a sua e nossa, terra mãe!!

A mocoronga!!! rsrsr...

Vindo a Santarém você não pode deixar de provar o “tacacá”- caldo grosso, servido em cuias(artesanato paraense), com enormes camarões secos, acompanhados do saboroso tucupí (um líquido amarelado extraído da mandioca) e o jambú (uma hortaliça que adormece a boca). Gente, é muito bom! Quando penso no cheirinho de tucupí exalado pelas bancas das tacacazeiras (como são chamadas as senhorinhas que preparam esta iguaria regional)  éguaaaa, me dá água na boca!!! kkk.

Crédito de imagem: Fernando Simon Pontes, foto Tacacá.

Como disse no post sobre Belém, a culinária paraense tem forte influência indígena e por isto, é rica em iguarias exóticas, como por exemplo os bolinhos de piracuí (farinha de peixe seco, socado no pilão), ou o beijú servido na folha de bananeira(é tipo a tapioca só que mais grossa e umedecida com o puro leite de coco). Têm também a pupunha (fruto, que se come cozido, de textura densa, fibrosa e farinácea, e cuja semente há um delicioso coquinho) e os inúmeros tipos de peixes, que ficam apetitosos fritos e servidos com açaí bem grosso.

Terra do saudoso Wilson Dias da Fonseca – o maestro Isoca, autodidata, reconhecido no Brasil e no exterior. Compositor de diferentes gêneros, mas sempre valorizando a cultura paraense. Outra grande personalidade em nossa cidade chama-se Dica Frazão. No auge dos seus 90 anos, ela produz roupas a partir de fibras naturais da Amazônia. Isto, graças ao seu belíssimo trabalho baseado na sustentabilidade, pois, Dona Dica é artesã pioneira na utilização da raiz do patchuli (raiz de perfume peculiar presente nas famosas garrafadas que dão origem aos banhos de cheiros paraenses), dentre outras matérias-primas amazônicas. Suas peças estão expostas em seu próprio museu/atêlier que funciona em sua casa a alguns metros da orla de Santarém.

Sebastião Tapajós e euzinha!!Teatro Municipal de Osasco/SP. Lançamento do CD Cordas do Tapajós.

Outro que orgulha a cidade é o violinista Sebastião Tapajós. Músico consagrado na Europa, ele mistura efeitos percussivos e variações de timbre, dentre outros recursos sonoros. A mocoronga que vos escreve teve a oportunidade de vê-lo e ouvi-lo em Sampa, no lançamento do cd Cordas do Tapajós, e lhes afirmo que fiquei impressionada com sua musicalidade. O mocorongo é fera no dedilhar das cordas!!srrsr..

Sobre a arte santarena simplifico-a em quatro letras “Aíra” – Associação das Artesãs Ribeirinhas de Santarém. O trabalho destas mulheres é perfeito. Elas são responsáveis por manter vivos os costumes e tradições na produção das famosas cuias(artesanato feito da casca do fruto das cueiras, usadas por índios e caboclos, nelas tomamos o tacacá) de Santarém – Patrimônio Imaterial Nacional. Este trabalho expressa toda a tradição indígena através dos elementos flora, fauna e de toda mítica amazônica.

Crédito de imagem: Aíra Cuias

Se você é do tipo que gosta de visitar o lugar e levar um souvenir, aconselho-o a passar pela joalheria Sena. Lá o turista encontra um dos trabalhos mais criativos da região. Os artesãos misturam ouro com matéria prima amazônica, como sementes, cascas e palhas, e assim, dão formas a lindas jóias repletas de referências culturais da região. Pelas mãos destes artistas, a beleza e versatilidade dos elementos da floresta são transformados em preciosidades, cheios de encantamento e sedução!

A cerâmica tapajônica também é outra dica de presente. Esta arte milenar, mais antiga do que famosa cerâmica marajoara, pode ser encontrada em várias lojinhas de artesanato espalhadas pelo centro urbano.

Ao fim do dia, o interessante é ir passear na orla de Santarém e sentir a brisa fresquinha no rosto. Assistir ao entardecer à beira do rio Tapajós é mágico!!

Crédito de imagem: Arnoldo Riker.

No mais, vou ficando por aqui, mas não sem antes citar Vicente Fonseca descrevendo o grande maestro Isoca, seu pai:

“Não queira alcançar o mundo com as pernas, apenas cante a sua aldeia, na qual serás universal.”

Um xêro da mocoronga!!

obs: Égua faz parte do nosso vocabulário, é a vírgula do paraense, tudo é éeegua por lá…kkk.

*Clí Santos.

Link’s:

http://wilsonfonseca.com.br/blog/?p=150

http://sebastiaotapajos.blogspot.com/2010/11/o-virtuose-sebastiao-tapajos.html

http://airacuias.blogspot.com/

http://www.santarem.pa.gov.br/home/index.php?

http://santaremtur.com.br/