Olhando Belém…

Vejo uma cidade tropical que resume história, cultura e natureza amazônica. Nosso povo alegre e hospitaleiro acolhe o visitante, cheio de histórias para contar. O jeito manso da linguagem, as lendas e os encantos do caboclo amazônico conquistam ao primeiro contato.

Crédito imagem: site The green club, vista de Belém do meio da Baia de Guajará.

A cidade das famosas mangueiras, as quais são consideradas um símbolo de revitalização histórica e urbana da cidade, é cheia de diversidades.

A chuvinha gostosa ao fim da tarde, os cheiros, a música e os ritmos que só a Amazônia é capaz de proporcionar, nos convidam ao inesperado. Como por exemplo – os folguedos juninos, uma mistura de quadrilha, bois e pássaros, que marcam importantes manifestações nesta cidade cheia de encantos e ritmos originais. Temos também o Carimbó que é considerado a maior representação da cultura amazônica. E por conta disto seus representantes vêm lutando para registrá-lo como “Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil”.

Interessante também são os shows populares, ao som das possantes aparelhagens conhecidas como Treme-terra. Elas agitam os finais de semana ao som do tecnobrega, que é um gênero musical criado pela periferia urbana da cidade.  O Arraial do Pavulagem é outro movimento que valoriza e propaga a arte amazônica raiz, suas apresentações são marcadas pelo grande número de brincantes.

Crédito imagem: site Arraial do Pavulagem.

O artesanato predominante da região é a cerâmica marajoara, herança dos conhecimentos centenários de tribos indígenas da Ilha do Marajó. Uma dica é pegar a estrada rumo a cidade de Icoaraci, cerca de uns 20k da capital paraense. Lá é possível comprar as peças diretamente dos artesãos, que se reúnem nas feirinhas das praças   Matriz e São Sebastião.

O cartão postal da cidade é o Ver-o-Peso, o mercado é uma verdadeira farmácia natural a céu aberto. Lá encontramos as mais diferentes ervas medicinais, raízes, temperos, perfumes e os famosos banhos de cheiros paraenses. Há quem diga que estas porções são capazes de levantar até defunto!!..srsrrs 

Crédito imagem: site The gree club/Ver-o-Peso, garrafas com porções mágicas.

Na culinária, muitos especialistas acreditam que nossa gastronomia é a mais original e genuína culinária brasileira. Nossos sabores exóticos são tão diferentes aos paladares tradicionais, que Chefs renomados do mundo inteiro desembarcam na cidade em busca da variedade de nossos ingredientes. A pimenta-de-cheiro, o camarão seco, o jambu e o tucupi são apenas alguns dos temperos que completam a saborosa mesa paraense.  Uma pedida é provar um tacacá quentinho em uma das diversas barracas espalhadas pela cidade. E jamais deixe de conhecer a sorveteria Cairu e tomar um daqueles deliciosos sorvetes de frutas regionais. Tem o de bacuri, cupuaçu, pupunha, castanha-do-pará, açaí, tapioca…uhmm é Pai’d égua!…kkkk

Crédito imagem: site Brasil sabor, foto Tacacá.

Não posso deixar de falar sobre a fé de meu povo. A religiosidade paraense é marcada pela procissão do Círio de Nazaré. É emocionante acompanhar a romaria fluvial, onde dezenas de embarcações, enfeitadas de bandeirinhas cortam as águas da Baía do Guajará, levando a imagem de Nossa Senhora de Nazaré. A devoção e a fé que move este povo é tamanha, que durante o evento religioso milhares de fiéis se espremem agarrados a uma “corda” que liga à berlinda da Virgem Santa. Acreditando no seu poder sagrado. Durante este período ocorrem muitos festejos pela cidade – é uma mistura do religioso com o profano.

Crédito imagem: site Cultura Pará, foto Shirley Penaforte.

Uma curiosidade é que o Círio de Nazaré foi o primeiro “Bem Cultural” inscrito no registro de celebrações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Brasileiro desde 2004.

E assim, vou ficando por aqui. Saudosa de minha amada Belém. Finalizo com a bela composição de quem canta e encanta a Amazônia…

(…)Te trago da minha terra, o que ela tem de melhor. Tigela de açaí, bumba-meu-boi dançador. Trago da minha cidade tudo que lá deixei. Numa das mãos a vontade e na outra o que sonhei. Nilson Chaves.

Nós paraenses costumamos agradecer dizendo “Um xero”!!!

* Clí Santos.

Crédito imagem: amiga paraense Ana Paula Thompson.

 

Obs: Pai’d égua é uma expressão paraense e significa excelente!

E aproveito para registrar que este post escrevi a pedido de uma grande amiga Ivone Neto de Osasco/SP, para o blog Cidades Turbinadas. http://cidadesturbinadas.blogspot.com/

Link’s:

http://www.paraturismo.pa.gov.br/para/index.asp

http://www.arraialdopavulagem.com.br/

http://www.campanhacarimbo.blogspot.com/

http://www.culturapara.art.br/index.htm

Centro Histórico de Pirenópolis/GO.

Surpreendi-me ao ver o Centro histórico de Pirenópolis. As construções que datam do período colonial preservam a herança de nossos irmãos portugueses. As enormes janelas e portas de madeiras nos transportam para a época áurea do ouro na região.

 Pirenópolis foi tombada como conjunto arquitetônico, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, desde 1989 e possui um centro histórico com inúmeros casarões e igrejas. Um diferencial do lugar é que a grande maioria dos casarões são residenciais. Desta forma, acredito que a preservação da arquitetura original por parte de seus proprietários torne o trabalho mais fácil para o IPHAN. Claro que isto requer uma boa dose de conscientização!

As igrejas chamam atenção pelo estilo colonial com interior barroco. No entanto, uma em especial me chamou atenção: a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário. Um fato lastimável ocorreu na igreja, houve um incêndio no ano de 2002, e então suas relíquias foram destruídas. Seus altares ornados em ouro, os sinos dos anos mil e oitocentos e um relógio com pêndulo alemão, foram alguns dos itens que acabaram em cinzas. Um grande desastre patrimonial.

Atualmente a igreja Matriz está sendo restaurada com recursos públicos e privados, mas infelizmente muitos de seus bens não poderão ser reconstruídos. O local é aberto à visitação. Moradores e turistas podem acompanhar de perto todo o processo de restauração. É muito legal este trabalho porque funciona como uma espécie de educação patrimonial, através da qual, a população fica conhecendo não só o valor histórico exposto, mas também o religioso e social.

Também não posso deixar de falar sobre a Festa do Divino de Pirenópolis, que é uma celebração de origem portuguesa que é baseada nas folias e rituais de um imperador e seu império. Ao longo do tempo foram inseridas à festa outras representações: como as encenações das cavalhadas (batalhas medievais entre mouros e cristãos, por honra do imperador e do Espírito Santo) e dos mascarados (figuras que circulam pela cidade a pé ou a cavalo com máscaras de papel pintado), que acontece sempre na época de Pentecostes pelas ruas do centro histórico.

E foi através desta manifestação cultural que o lugar conquistou mais um reconhecimento. Ano passado, a Festa do Divino foi registrada pelo IPHAN como um “Bem Cultural de Natureza Imaterial” do estado de Goiás. Uma grande vitória, não só para o estado, mas também para o país. Infelizmente, nós brasileiros precisamos aprender a valorizar o que é nosso, cultuar nossas tradições e referências. E jamais permitir que elas desapareçam.

As lojinhas espalhadas pelo centro histórico são um mimo! Pense num ambiente cercado de história, onde você pode garimpar os mais variados trabalhos artesanais e regionais? Então, ficou curioso? Visite Piri…rsrs é como a cidade é carinhosamente chamada por seus moradores.

O centro histórico de Pirenópolis, é assim, de estilo secular, com um charme que é só dela. As ruas de pedra, os lampiões coloniais…seus casarões ricamente desenhados.

 Agora entendo por que Cora Coralina queria compartilhar as belezas de sua terra quando escreveu em versos:

“Poetas e pintores, românticos surrealistas, concretistas, cubistas, eu vou conclamo. Vinde todos cantar, rimar em versos, bizarros coloridos, os becos de minha terra.”

No mais vou ficando por aqui até o próximo giro!!

*Clí Santos.

Links:

http://www.pirenopolis.go.gov.br/

 http://portal.iphan.gov.br/portal/montarPaginaInicial.do