Particularidades linguísticas do meu Pará.

Interessante como este nosso país é cheio de “diferenças”. Acho que é por isto que o torna tão especial aos olhos daqueles que o visitam. Apesar de termos diversidades em todos os campos da nossa cultura, a nossa língua falada é uma curiosidade a parte.

Em cada região brasileira temos particularidades lingüísticas, por isto resolvi escrever algumas expressões bem curiosas que aprendi nas regiões pelas quais já passei e morei. É claro que darei ênfase nas expressões lá do meu Pará…kkkk. Muitas das palavras que escrevi são as que aprendi ao longo da vida no convívio dos meus parentes e amigos paraenses. Minha avó Carmenzita (in memorian) foi uma personagem importante neste processo, pois vez e outra ela me soltava umas “pérolas” muito engraçadas…kkkk.

Crédito de imagem: Ver-o-Peso da Arte, Belém/PA.

Vejamos o Best seller do vocabulário paraense. Assim caro leitor, quando você visitar o estado já saberá como se comunicar, ok?kkkkkk.

A

Arreda aí: afasta aí

B

Bandalheira: bagunça

Bacio: penico

Borimbora! : vamos embora

 C

Caba: marimbondo, vespa

Caboquice: adjetivo que diminui algo ou fato

Ex: – Deixa de caboquice fulano, parece que nunca foi ao shopping antes.

Carapanã: é o pernilongo ou mosquito

Calango: o mesmo que lagarto

Calça curta: pega-marreca…kkkk

Carão: bronca

Coisinha: forma de tratamento quando não se sabe o nome de alguém.

Ex: – Coisinha sabe se o ônibus já passou? Kkkk…

Chopinho: din-din ou sacolé …( minha Vó fazia de muitos sabores: abacate, açaí, taberebá, murici etc…).

Cremoso: picolé

Cruviana: vento soprando à noitinha (a Vovó assustava a gente chamando a cruviana pra mim e meus irmãos ficarmos bem quietinhos e adormecermos).kkkk

 D

Diacho: expressão de desapontamento

Din-din: sacolé

Duas peças: biquíni…kkk

 E

Escangalhar: quebrar (objetos)

Estilingue: baladeira

Égua: é a vírgula do paraense, tudo é éeegua por lá…kkk. Denominação para pessoa de modo informal.

Espia: olhar algo

Espocar: estourar, explodir

Extrato ou colônia: perfume

F

Fulêro: xingamento leve, pessoa que não vale nada.

Fulêro 2: coisa que não presta, tipo coisas piratas…kkk

Ex: – Comprei um relógio tão fulêro que já escangalhou no primeiro dia de uso.

G

Gaiato: pessoa que gosta de fazer graça

Galera: gang

Galerito: líder da gang

Galeroso: membro da galera

Gazetar: matar aula

Gitinho: o mesmo que pequeno

I

Inhaca: fedor

J

Já meu vú: tchau

Jerimum: abóbora

M

Maceta: enorme, grande

Mas credo: sai fora

Malinar: fazer maldade com alguém, beliscar

Mano(a): irmão ou irmã

Maninho: tratamento carinhoso

Marmita: bandeco…kkk

Mas ulha já: expressão de admiração, espanto.

Merenda: lanche, recreio

Mocorongo: é quem nasce em Santarém, gente boa, meio caipira, mas que é extremamente hospitaleiro.

P

Pai d’égua: excelente

Partinha: franja

Parada: ponto de ônibus

Pecinha: biquíni…kkkk

Pavulagem: metidez, frescura

Peteca: bolinha de gude

Picadinho: carne moída…kkk

Porre: pessoa bêbada

Porronca: cigarro de palha…kkk

Pira-esconde: brincadeira de pique-esconde

Pitiú: aquele cheiro típico de peixe

Pluma: esponja de maquiagem pro rosto

Presepada: peraltices

R

Ralhar: brigar

Remoso: alimento forte, que pode fazer mal quando se está doente ou de resguardo.

Ex: Fulana, você acabou de ter nenê. Não come esta carne, que é muito remosa. Pode fazer mal.

Repara: tomar conta de…

Ex: – Fulano, repara minha bolsa enquanto vou ao banheiro.

Retrete: sanitário ao ar livre…(normalmente um buraco que se acoca pra fazer as necessidades)…kkkkk….é um sanitário ecologicamente correto,ok.

S

Se agarrar: dar uns amassos…kkkk

T

Taberna: mercearia

Te acoca: te abaixa

Tip-top: picolé

Toró: chuva forte

Tú é leso é: deixa de ser doido

Travessa: o mesmo que tiara

U

Urinol: penico

Ulha já: expressão de admiração, espanto, dúvida ou ironia.

Ex: – Meu pai é o homem mais rico do mundo. / – Ulha já!! (dúvida).

– Ulha já, fulano diz que sabe alguma coisa. Quem vê pensa. (ironia). 

V

Visagem: fantasma, assombração (a Vovó contava altas histórias de visagens…kkk).

Vem cá maninho(a): venha aqui colega, amigo.

 E por aí vão uma infinidade de expressões usadas lá no norte do Brasil.

Crédito de imagem: Ver-o-Peso da Arte, Belém/PA.

Êta saudade do meu Pará.

– Éguaaa, estão todos convidados a visitar minha terra, mas já sabem, deixem de pavulagem e não se esqueçam de consultar o dicionário paraense, pra não fazer feio maninho(a)! Rsrsr…

Crédito de imagem: Ver-o-Peso da Arte, Belém/PA.

Um beijo da mocoronga e borarimbora! rsrsrs…

*Clí Santos

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Um pensamento sobre “Particularidades linguísticas do meu Pará.

  1. Amanda disse:

    Adorei o post…dei muita risada. Égua de ti, mana.

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